José Fanha

Elefantemos portanto.

Deixemos esta tão precária pele

Aprender outros saberes

Deixemos

Portantomente

O olhar do paquiderme

Ensinar ao passarinho

As paisagens do deslumbre

Das escritas mais antigas.

Permitamos que o vento sopre.

E que a pedra exista.

E que o sol dispare a sua fúria

Em todas as direcções.

E que a lua se entretenha

No seu jogo de brilhar.

Elefantemos portanto.

Ou,

Melhor dizendo,

Permitamos que um silêncio muito antigo

Venha

Carregado de silvos e sussurros

Venha

Conduzir-nos a palavra

Pelas veredas impalpáveis

Do mistério.


Para o Mia Couto - José Fanha

Comentários